Analisando Chinese Democracy, do Guns and Roses

guns_reuHoje, parei para escutar o tão comentado disco novo de Axl Rose, quer dizer, do Guns n’ Roses. Depois de uma década produzindo, gravando, compondo, finalmente Axl soltou Chinese Democracy (o disco foi lançado em LP duplo e CD simples). É bom avisar que meu humor está ‘up’, então a crítica será ‘leve’… (Bom, assim espero!)

Bom, de primeira: Guns é Axl Rose, sim. Slash e cia. fazem falta, mas o esqueleto das músicas ainda é o mesmo. Digamos que Duff e os outros gunners deixavam a coisa mais rock n roll, enquanto que Axl olha para o futuro, o que pode não ser uma boa idéia (já que o Guns and Roses tinha um estilo próprio e fez sucesso com ele). Adianto que vou analisar música por música, enquanto vou ouvindo-as. Ou seja, vai ser uma experiência bem sensorial, o que me vier à cabeça vai ser escrito.

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A faixa título, Chinese Democracy, é um petardo excelente. Digna da discografia do Guns.

Shackler’s Revenge é cheia de texturas, como cara de coisa atual, o que para mim, soa negativamente (para quem curte bandas atuais, guitarras com whammy, ritmos vários, dubs, bassdrum, pode até soar legal)

Better começa estranha, depois melhora com os riffs, mas é uma das faixas onde Axl grita muito, e isso contribui para

Sobre os solos de guitarra das músicas como um todo: eu, sendo um guitarrista, fico ali em cima, analisando cada solo, comparando com o que Slash faria, se ainda estive no barco. Sim, eu sei que é chato isso. Mas é inevitável, então, veja meu parecer: alguns solos enveredam pela virtuose, o que soa totalmente descartável, outros abusam dos efeitos a là whammy, mas é nos solos mais ‘comuns’ que o feeling aparece e revela gratas surpresas.

Street Of Dreams é a primeira baladinha do Cd, e Axl inova mais uma vez, no tom, no vocalise, na melodia, embora volte sempre a seus gritinhos característicos, o que não é propriamente um defeito, mas sim o ato de sedimentar um estilo. Os fãs (assim como eu era um grande fã) esperam sempre ‘mais do mesmo’… Lindo solo de guitarra, com o timbre na cara, não tem nada a ver com o som da Gibson de Slash, mas é bonito e versátil. Alguns efeitos na voz lembram recursos de auto-afinação (?). Mas devem ser apenas simples efeitos de modulação mesmo.

Lá vem outra com ritmo estranho para os padrões do ‘velho’ Guns: If The World. Acho que é por causa de músicas como esta que Slash, Matt, Duff, Izzy e cia. saíram definitivamente do grupo. Além, é claro, do ataque de estrelismo total do Axl! É uma música que poderia se salvar se seguisse o estilo mais simples e direto, sem programações, remixes e outras estranhezas… Opa! Mais um solo de guitarra cavernoso! Valeu escutar a música até aqui, só por causa dele. E um solo de violão de nylon no final? Sei lá, achei meio descabido…

Corais, piano, orquestração e… ritmo R&B, meio hip-hop? É, There Was A Time. Bom vocal, gostei. Lembra a fase alegre do Guns, antes do esfacelamento total. Solo incrível, inclusive com efeitos moderninhos, com os fast runs na hora certa.

Mais uma balada. Axl se apropria do título da grande obra do escritor J. D. Salinger, Catcher In The Rye (em português, o Apanhador no Campo de Centeio) para fazer uma canção progressiva, cheia de climas, com um toque épico até. Um belo solo de guitarra preenche o centro desta canção pop. Influência britânica nas harmonias e nos backings vocais. Destaque para as evoluções e viradas de Bryan Mant no final.

Scraped é um rock de atitude, com os vocais rasgados e dobrados, com Axl fazendo um jogo de pergunta e resposta, alternando as oitavas. O solo com wah combina totalmente com a pegada. Música boa para curtir uma viagem de carro.

Cheia de vocais e vocalises, Riad N’ The Bedouins soou chata para mim. Mesmo com o ritmo acelerado e com os solos também rápidos. Ainda bem que acabou…

Devagar, vem Sorry. Climão lento, guitarra trêmula. Um crescendo na dinâmica. Distorção no refrão. Solo naquele estilo meio sozinho, com a cozinha fraca, feeling na cara. Gostei desta música. Bem construída, grandes solos e viradas no final, bem épica também.

Vamos para I.R.S., que começa suave e com um loop de bateria, mas acaba escoando para um rock da fase Use your Illusion. Gostei muito do timbre do vocal desta, em especial. Linhas melódicas me trouxeram resquícios até da primeira fase do Guns, com bastante pressão. Ótimo refrão, bem grudento, bem pop. O solo traz a suavidade e o loop de bateria de volta, mas Axl volta rapidinho, chutando bundas com sua voz.  É o cara ainda manda bem. Great track.

A décima-segunda faixa é Madagascar, o famoso hit que já tinha sido executado quando a banda veio ao Brasil pela última vez. O loop inicial e o vocal drunk de Axl não me animam muito. Mas daí vem o solo e arregaça tudo, a música ganha em dinâmica e peso. Esta música lembra momentos especiais na carreira do grupo, com vários inserts (discursos e falas gerais) e colagens durante o meio. Mas não sei se é um hit. Faltam mais audições dedicadas para ver se a música ‘gruda’ na cabeça.

Axl realiza um piano bonito para cantar This I Love, uma balada com ares sinfônicos (seqüências de notas me recordam de November Rain, ou seja, é Axl mesmo ao piano). Ainda não sei se o solo desta é de Bumblefoot ou de Robin Finck, mas sei que é feito com alma, como deveria ser todo solo.  Belíssima balada rock, pronta para as FMs. Esta é a única totalmente creditada a Axl, embora em todas as outras ‘ele está lá’, com seu nome no encarte e com sua impressão digital no espírito das canções.

E para fechar o tão aguardado disco, drumtracks iniciam Prostitute, onde detratores ganham idéias para sugerir que Axl se prostituiu musicalmente… A bateria de verdade logo vem, e a música toda desponta  positivamente para terminar o CD, e consegue atestar que Chinese Democracy é muito bom. Não tão bom quanto Axl sonha, mas muito melhor do que críticos azedos afirmam. Vai vender muito, vai ser muito pirateado, as músicas vão fazer parte de eventos e afins, e Axl vai voltar à mídia. Assim como o rock pede. Atitude, pose e música. Isso Axl sempre teve.

Saldo final: Chinese Democracy não é ruim. Muito pelo contrário. Nem falta um produtor melhor, pois as músicas estão bem gravadas e encaminhadas. O que faltou mesmo foi um disco de banda, pois um álbum concebido por apenas uma pessoa, por melhor que ela seja musicalmente, raramente será ótimo de cabo a rabo. E são poucos os grandes músicos que se propõem a fazer uma obra musical sozinhos, cuidando de tudo. E são menos ainda os discos que ficam maravilhosos assim. Dá impressão que o artista acaba se perdendo no meio do caminho, perdido em sua própria grandeza…

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Para aproveitar o post, veja o link abaixo, pra comprovar que o disco já chega trazendo polêmicas:

Para China, novo CD do Guns N’ Roses é ataque ao povo chinês

Roupa Nova lança ‘compacto’ (+ outros lançamentos)

Isso é muito raro de ser ver: uma banda nacional vai lançar no mercado um disco em formato de compacto ou single.

oiO famoso grupo Roupa Nova vai lançar, neste fim de ano, um Cd com apenas4  músicas, batizado de 4U (for you, para vocês). A proposta da banda é lançar um disco com inéditas, mesmo que sejam poucas, disponibilizando uma inclusive delas no site oficial da banda (clicando aqui, você baixa já), e sugerir um preço baixo (a idéia gira em torno dos R$ 7,00).

Faixas do compacto:

01. Toma Conta de Mim / 02. Cantar Faz Feliz o Coração / 03. Chamado de Amor / 04. Quero Você

O problema é o lojista botar preço de CD completo por apenas um compacto. Mas a idéia é boa até para combater amenizar a pirataria, já que tanto faz um CD com 4 ou com 20 músicas, o preço dos camelôs é basicamente o mesmo. E por um precinho um pouco maior, você pode adquirir o Cd oficial, com encarte e tudo. Bela iniciativa.

Nas palavras do Ricardo Feghali:

“Antigamente, na época do vinil, as bandas lançavam compactos simples e duplos, com 2 e 4 músicas. Vamos lançar uma coisa inédita no Brasil, um cd com 4 músicas inéditas,com a vantagem de uma delas ser disponibilizada na internet integralmente, o preço do CD muito mais barato e ainda uma promoção pra quem comprar.

Por isso 4U (quatro pra vocês) em breve.”

O grupo Roupa Nova também está com um plano bem interessante: eles estão em Londres para uma gravação ao vivo no lendário estúdio Abbey Road.  Esta gravação deverá ser lançada ano que vem em DVD.

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Aproveitando o post de lançamento de discos, aí vai a capa do finalmente lançado disco do Guns ‘n’ Roses, Chinese Democracy. Não ouvi, nem tenho idéia de como será um disco novo do Axl sem Slash, Duff e cia…

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A aproveito para deixar a capa e o tracklist do novo EP do Coldplay, Prospekt’s March, também a ser lançado até o fim do mês.

coldplay-prospekts-march-e-451484Faixas:

01. “Life in Technicolor II”
02. “Postcards from Far Away”
03. “Glass of Water”
04. “Rainy Day”
05. “Prospekt’s March/Poppyfields”
06. “Lost+” (featuring Jay-Z)
07. “Lovers in Japan (Osaka Sun Mix)”
08. “Now My Feet Won’t Touch the Ground”